Publicado em: sex, jun , 2014

Serial killer pode ter matado quatro mulheres em Goiânia

waldir

De fato nessa história temos o seguinte: acredito que realmente exista um ou mais criminosos matando em Goiânia. Isso é verdadeiro. Não tem como tapar o sol com a peneira. Isso todo mundo sabe e a imprensa está noticiando que desde dezembro aumentou o número de mulheres que tem sido vítimas.

Tem sido traçado um perfil. Eu não sou da Delegacia de Homicídios, mas como um profissional, especialista em segurança pública, eu tenho que dar uma resposta à sociedade dos  questionamentos. E por ter entrado na política, tenho que dar uma resposta à sociedade. As vítimas tem de 15 a 27 anos, são jovens, bonitas. Nós temos no mínimo, dos seis casos, quatro com extrema semelhança, onde as vítimas foram mortas com apenas um disparo de arma de fogo. Não posso falar sobre a arma, porque quem faz a comparação das balas é a DIH.

Mas pela características dos crimes, pela análise das ocorrências que nós fizemos, pelo que a imprensa trouxe, em quatro dos seis casos mais recentes houve uma tentativa simulada de assalto, a vítima foi morta com apenas um tiro por motociclistas em uma moto escura, com pilotos de capacete de cor preta.

Eu não poderia dizer se foi a mesma pessoa ou se foi um serial killer, mas há muitas características semelhantes. Neste momento, acho que o melhor papel do Estado, por meio da Secretaria de Segurança Pública, seria não permitir esse pavor que está entre as mulheres e as famílias goianas. É preciso chamar a responsabilidade, traçar o perfil das vítimas, chamar toda a imprensa, esclarecer o que está acontecendo até para que o cidadão possa se proteger.

Duas semanas atrás colocaram a foto de um jovem inocente, que nós ouvimos lá no 8º Distrito, como sendo do serial killer. E na verdade não tem nenhuma relação com o fato. Poderia acontecer o que aconteceu em Guarujá, o linchamento de uma pessoa inocente.

Os rumores sobre um matador em série são sustentados, inclusive, por uma suposta semelhança física entre os criminosos.

Sim, as características físicas também são parecidas. É um sujeito alto, de 1,85m, moreno, a cor do capacete é a mesma, magro, então existem algumas características que são repetitivas. E eu diria o seguinte: quando você tem a informação e a esconde da sociedade, está se acovardando e permitindo que talvez uma lenda, um fantasma, crie um clima. Ainda mais depois que uma jovem gravou no WhatsApp [que existe um matador em série] e mandou para diversas pessoas isso virou uma febre em Goiás. Quando a gente começou a postar no Facebook sobre esse caso, em 10 dias eu ganhei mais de 20 mil seguidoras mulheres, demonstrando a extrema preocupação da sociedade com esse fato.

Eu digo que tem um matador. Das seis mulheres tem mais de um matador. Algumas morreram com fatos extremamente coincidentes, duas com um pouco menos coincidências. Existe mais de um matador. Mas um elemento matou mais de uma mulher: uma é a filha do promotor [Ana Maria], a outra é a jovem do Jardim América, a outra é a do São José e outra a do setor Sudoeste. Os outros dois casos, pelo que eu li das ocorrências policiais, seriam outro autor.

Mas, ressalto que o que acompanhei, acompanhei pela imprensa.

Mas o que tem sido falado nos bastidores das polícias sobre isso?

Nos bastidores é o seguinte: a Rotam está nas ruas para aumentar a abordagem a motociclistas. Alguém me disse que seriam motociclistas de motos pretas e capacetes pretos. Se for isso, é amadorismo, porque o bandido não vai ficar com a mesma moto preta e o capacete preto.

Existem em alguns grupos de policiais nas redes sociais — e em conversas a gente também ouve — que existe uma pessoa que matou mulheres de forma semelhante. Existe isso nos bastidores. Eu acredito que a polícia vai dar essa resposta. Se ela não deu ainda, é porque não chegou numa situação conclusiva, mas está trabalhando para isso.

É bom o cidadão saber que temos uma polícia para evitar que essas mortes aconteçam. Para isso existe a Polícia Militar nas ruas, fardada e viaturizada. Se a Polícia Militar não consegue evitar, aí vem a Polícia Civil, a investigação. Só que a investigação de casos complexos como esses, o resultado não vem rapidamente.

E quais seriam as motivações desse serial killer?

Ele está matando por um motivo – não é por um celular. Ele simula o assalto. São todas as mulheres bonitas, isso seria um motivo. Ele pode ter sido um ex-marido traído, pode ter tido uma decepção amorosa, ou pode simplesmente não gostar de mulher. Ele tem um trauma, é um psicopata no meu ponto de vista. Ele tem um motivo, que só a prisão dele vai poder elucidar. Que existe, existe. Ele não gosta de mulheres jovens, de 15 a 27 anos, e bonitas. Ele tem um perfil. Isso é claro e evidente.

Conversei com o delegado Murilo Polatti [da Delegacia de Investigações de Homicídios], ele sabe da repercussão do meu trabalho nas mídias sociais, do nosso número de seguidores, e disse assim para mim: “Avisa a sociedade que nós estamos investigando. Dos seis casos já temos autores, mas dependemos de medidas judiciais. Nós vamos dar respostas. Não temos a solução de todos os casos ainda. Não é um serial killer.” Foi o que o delegado me disse pessoalmente e pediu para que eu postasse nas redes sociais. Eu simplesmente respondi que eu confio no trabalho dele, mas eu quero que os resultados saiam o quanto antes, porque não podemos continuar com mulheres e a sociedade apavoradas.

Se há todas essas peculiaridades, por que o Polatti tem tanta convicção de que não se trata de um serial killer?

Ele é o presidente das investigações. Como presidente das investigações, ele tem mais informações que eu. Por exemplo, ele tem a resposta para a questão de se os disparos são da mesma arma em todos os casos, apesar de que o serial killer pode usar mais de uma arma. É muito do perfil do serial killer, mas um criminoso desse tipo sempre deixa uma marca no local. Em nenhum desses casos ele deixou qualquer símbolo ou coisa semelhante. Mas existem modelos diferentes.

Mudando de assunto agora, como o senhor avalia o panorama da segurança em Goiás?

Eu seria hipócrita se chegasse aqui para falar para vocês que a situação na Segurança Pública é perfeita. Eu digo que não é boa. Se estamos batendo recordes de homicídios mês a mês, se a sociedade está insegura, se o bandido está na rua, eu diria que a segurança pública não passa por um bom momento, já há bastante tempo. Nós temos do meu ponto de vista uma visão ultrapassada da segurança pública. Precisamos mais do cidadão e de uma estrutura adequada.

Hoje temos companhias dentro da Assembleia Legislativa. No Ministério Público deve haver mais de 150 policiais. No poder Judiciário idem. Hoje quem trabalha na rua são 40% dos policiais. No 190 [serviço de atendimento telefônico da polícia] devemos ter uns 150 policiais militares, quando caberiam estar ali telefonistas, como é feito em outros Estados. Invés de deixar um policial que ganha R$ 3.000, você coloca uma telefonista que ganha R$ 1.000, e coloca esses policiais nas ruas.


O senhor acredita que está na hora de uma readequação do sistema de segurança pública no país?

Sou defensor da polícia única. O cidadão não quer saber quem resolve o problema dele. Temos hoje cinco ou seis polícias. Mas o cidadão, quando tem sua casa furtada ou é violentado quer ter seu problema resolvido. Aí, o que acontece, existem atritos localizados entre as polícias civil, militar, rodoviária, federal e a guarda municipal. A gente tem que acabar com essa salada. O cidadão não quer saber de salada, quer saber do prato principal, a solução da segurança pública. Precisamos de um novo modelo, que passa pela unificação das polícias com carreira única.

O profissional começaria na base, no serviço ostensivo, e se estudar, pode chegar ao topo, seja como delegado, seja como coronel, não importa o nome que terá lá na frente. Só devemos parar de pensar no corporativismo das polícias e pensar no cidadão, que paga o salário das polícias, e recebe um serviço de má qualidade.

Na segunda-feira (9/6) o Tribunal de Contas da União (TCU) apontou Goiás como o segundo Estado em investimentos – não apenas financeiros – na segurança pública. O senhor consegue perceber isso na sua atuação profissional?

Na ponta não tem chegado esse investimento. Nós estamos investindo na Academia da Polícia Civil, que vai ser sem dúvida a melhor do país. Mas temos muitos problemas na ponta. Hoje não temos a metade de policiais de 15 anos atrás. Hoje deveríamos ter no mínimo 6.000 policiais civis em Goiás. Temos 3.000. Então o quadro está muito defasado. Temos comarcas sem delegados, plantões que não funcionam 24 horas, delegacias que não operam. Isso é uma covardia com o cidadão. Se você colocar o Simve, trazendo a precariedade para a polícia, aumentamos o efetivo para 15.000, mas ainda assim o quadro ideal é 30.000. O governo espera ter esse efetivo para daqui a dez anos, mas como se o problema está aí hoje?

Vai ganhar a eleição a nível estadual e federal quem tiver proposta para a segurança pública. Eu não sei se vocês já perceberam o perfil de alguns senadores e políticos de Goiás, pré-candidatos a deputados e senadores, e até o próprio governador, estão todos falando de segurança pública, o que nunca aconteceu na história.

Eu vejo todos eles adotando um discurso que eu tenho há muitos anos. Todo mundo está querendo ser um Demóstenes [Torres], ou pegar um pedacinho da segurança pública. Mas muitos deputados federais, senadores, tiveram oportunidades de fazer mudanças. Estão em Brasília há quatro, oito, 12, 16 ou 20 anos e nunca fizeram nada pela segurança pública. Se nós temos um caos hoje, é por causa dessas pessoas que não fizeram mudanças.

Hoje as delegacias são caóticas. Falta tudo. Então precisamos de um novo modelo. Ou melhor: reinventar a segurança pública.

No Brasil morrem assassinadas por ano cerca de 50 mil pessoas. Como impedir que o país mantenha essas estatísticas como essa, digna de guerra?

Primeiro passo é não continuarmos amadores na segurança pública e no combate ao principal motivo dessas mortes. Temos que ter duas abordagens: uma para as mortes violentas e outra para as mortes no trânsito.

Em relação às mortes violentas, em que a maior parte das vítimas é de jovens de 12 a 25 anos, o maior motivo é a droga. Temos que pensar de onde vem a droga. Todo mundo sabe que a maconha vem do Paraguai ou do Nordeste brasileiro. Todo mundo sabe que a pasta-base, que serve para fazer a cocaína e o crack, vem da Bolívia, um pouco da Colômbia, e, agora, da Venezuela.

Qual é o maior financiador desses países produtores de drogas? É o Brasil. Para onde vão os carros roubados? Para os mesmos países que eu citei. Eles estão interferindo na nossa soberania, permitindo que com a entrada dessas drogas sejam mortos jovens brasileiros.

Então eu diria para vocês: se vocês querem acabar com as galinhas, tem que sair catando todos os ovos ou pegar todas as galinhas? Pegar todas as galinhas. Estou simplificando para todo mundo entender. Se queremos acabar com a droga, temos que acabar com ela na origem, na Bolívia, na Colômbia. “Mas, delegado Valdir, você está interferindo na soberania desses países.” Eles estão interferindo em nossa soberania há vários anos, acabando com nosso futuro. E nós estamos financiando eles.

Temos que parar com esse amadorismo de combater a droga na distribuição. Se botarmos todas as polícias, Exército, Marinha, Aeronáutica, tudo na nossa fronteira seca, vamos evitar a distribuição? Não. Temos que agir na fonte, senão vira briga de gato e rato.

Por que não mudamos isso? Porque nossos presidentes não entendem de segurança pública.

Mas de que forma o Brasil poderia interferir nesses países?

Interferindo com o serviço de inteligência e fazendo acordos. Nem que você tenha que pagar um salário mínimo para cada boliviano e para cada paraguaio. É preciso acabar com as plantações do coca na Bolívia e as de maconha no Paraguai. Muitas fazendas no Paraguai são de brasileiros, inclusive de criminosos.

Numa discussão que tive com alguns defensores da legalização das drogas, disseram que eu queria interferir na história sul-americana, já que os indígenas bolivianos há milênios mastigam a folha de coca. O que eu vejo é que lá eles estão com os dentes estragados de tanto mastigar a coca, morrem jovens, e se eles querem alguma coisa, vamos dar chicletes brasileiros para eles mastigarem. Acho que é mais saudável.

Então temos solução para tudo, basta coragem para tomar atitude.


O senhor não acredita que a regulamentação da maconha poderia reduzir o tráfico de drogas e também a violência?

Nenhum país que legalizou diminuiu o índice de violência. Você pega a Holanda, que é um dos modelos mais clássicos da Europa. Eles criaram os guetos onde as pessoas usam drogas em ambientes específicos. Eles já reduziram esses guetos, e nesses locais o índice de violência é 10 vezes maior que em qualquer outra região da Holanda. Portugal e outros países que tiveram algum avanço na liberação da maconha também voltaram atrás. Se a maconha é um produto bom, você ofereceria para o seu filho? Já perguntei isso para vários usuários, e todos eles disseram que não ofereceriam.  Serve para o filho dos outros, mas não serve para o filho deles.

Alguns estudos tratam do uso medicamentoso da maconha, para algumas finalidades. Se for para algumas finalidades medicamentosas a gente não vê problema. É uma questão técnica, profissional. Agora, você liberar o beque na rua é querer acabar com a sociedade. O argumento que colocam é que o álcool e o cigarro são permitidos também. Pois bem, eu sou defensor também que se proíba a propaganda de bebidas alcoólicas. Temos que reduzir. Pois são, sem dúvidas, as drogas lícitas e ilícitas que matam.

Sou radicalmente contrário à legalização do uso da maconha porque cada organismo é diferente. De repente ela pode fazer bem para você, mas na cabeça, no organismo de outra pessoa pode ser diferente. E como você vai separar esses casos? “Ah, o Estado vai controlar.” O Estado não controla nada. Não dá conta de controlar nem o Fisco, temos muitas fraudes. Vai controlar quem está usando maconha? Sou radicalmente contra a legalização da maconha e de qualquer outra droga. Sou também favorável à proibição da propaganda de bebidas alcoólicas na mídia, como acontece hoje com o cigarro.

Como melhorar o índice de elucidação de crimes no Brasil?

Mais policiais comprometidos e produtividade. Dar um salário para o policial e mais 100% de produtividade. Se ele tiver 30 homicídios na região dele e solucionar os 30 homicídios, ele ganha os 100%.  Ou a PM, se não tiver nenhum crime na região dela, ganha 100% de produtividade. A cada crime, reduz a produtividade até ficar só o salário básico.

A polícia goiana é competente, precisa apenas de estrutura. É preciso combater a corrupção também.


O senhor concorda com esse imaginário de que só “preto” e pobre vai para a cadeia?

O Código Penal é de 1940. Em 1984 ele teve uma reforma mas ainda está completamente ultrapassado. Na verdade não temos esse estereótipo de que só negro e pobre vai para a cadeia. Várias pessoas, brancos, negros, de várias religiões [vão para a cadeia]. Não podemos dizer que a cadeia é só de pobre ou de negro. Quem escolhe estar na cadeia sou eu ou você. Cada um faz sua escolha. Não interessa se você é pobre ou negro.

A diferença que temos hoje é que a pessoa com poder aquisitivo, como os mensaleiros, contratam os advogados e recorre mil vezes. Demora mais tempo para ir para a cadeira ou então o crime simplesmente prescreve. Temos que acabar com a prescrição e reduzir o número de recursos. Por que não é feita essa mudança? Por que nossos legisladores não entendem do assunto.

Nós elegemos agropecuaristas, radialistas, médicos, engenheiros. E eles estão lá para fazer as leis. Se vamos fazer leis ambientais, temos que colocar lá deputados engenheiros ambientais. Para fazermos leis sobre jornalismo, temos que ter deputados jornalistas. Temos que eleger por categorias. Não essa bagunça que é hoje. Como que eu, delegado, vou entender de Tributário – apesar de que eu entendo um pouquinho? É um absurdo colocar pessoas de áreas completamente diferentes. É como pegar um padeiro para dar aula, ou um professor para fazer pão. Essa é, infelizmente, a salada política que nós temos.

O Ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, afirmou que o sistema prisional brasileiro é medieval e que viola os tratados de Direitos Humanos dos quais o Brasil é signatário. Por que temos uma situação como essa?

Ele disse mais ainda: que preferia morrer a estar em qualquer cela do Brasil. Diria para você o seguinte: o Brasil quer ser um país de primeiro mundo, não quer? Três países hoje desenvolvidos têm uma população carcerária bem superior à brasileira: Estados Unidos, China e Rússia. Nós temos 500.000 presos. Se quisermos chegar ao primeiro mundo temos que ter lugar para eles.

Se não temos cadeias adequadas hoje, a culpa é dos Executivos. Eles são incompetentes, não têm investido em cadeia. Precisamos de cadeias industriais e rurais, onde você coloque o preso para trabalhar, onde ele indenize a vítima e não tenha as regalias que têm hoje. Precisamos mudar o perfil do preso. Não temos que tentar ressocializar o preso. Temos que parar com essa palhaçada no Brasil. Temos que punir o preso. Se temos pessoas sendo linchadas nas ruas, é por conta da impunidade.

No meu ponto de vista, o preso, assim que chega na cadeia, recebe um número e um par de uniformes. Coloca ele para acordar Às 6h. Das 6 às 8, atividade física; das 8 às 18, trabalho, com uma hora de intervalo, para indenizar a vítima e para pagar a estadia dele na cadeia; depois, das 19 às 23, estudo. Vai estudar, não importa a escolaridade. Se já completou todos os cursos, vai se profissionalizar. Sábado, domingo, teatro, religião, aprender a cantar o hino. Você vai ver se recupera ou não o bandido. O modelo que temos hoje está bagunçado.

Mas esse trabalho de educação e profissionalização não seria também uma forma de ressocialização?

Pode ressocializar, mas acho que a finalidade da cadeia tem que ser punir. Você praticou um erro, matou, roubou, estuprou, tem que ser punido por isso, não recuperado. O bandido não vai para a escola, não vai para o dentista, não vai para o médico. Ele quer é traficar, quer matar, quer mulher, quer dinheiro. Ele não pensa em criar um padrão de vida. Por que nós temos que pagar essa mudança dele.

Vou perguntar uma coisa: se alguém mata o meu filho, assim que ele for identificado pela polícia ele vai ser preso. Vamos supor que ele seja condenado a 30 anos, ele vai cumprir 1/6 da pena: cinco anos. Ele vai sair dando risada de mim: “Matei seu filho, viu seu trouxa”.

E enquanto ele estiver lá dentro, quem vai sustentá-lo? O pai. Eu, que tive o filho perdido, que chorei a perda do meu filho. Que sistema é esse, que Justiça é essa?
Temos uma Constituição, a de 1988, com direitos excessivos. Ninguém pode ser condenado se não houver trânsito em julgado, o que demora 40 anos. Nunca ninguém vai ser condenado, a não ser que seja pobre e negro, porque aí o cara não vai ter dinheiro para contratar advogado, não vai saber que tem que recorrer. E aí, vai dançar.

E temos que ter cadeias separadas. Para quem cometeu furtos, uma; estupros, outra; homicídios, outra. E tem que separar por idades também, para não continuar essa universidade do crime.

Como tem sido o trabalho da Força Nacional de Segurança aqui em Goiás?

A Força Nacional é um serviço de apoio. Eu vejo que cada vez que ela é levada para um Estado, evidencia a fragilidade na segurança pública. É porque o Estado não conseguiu prover a segurança do cidadão. E acaba havendo um atrito entre os policiais, porque eles recebem um salário muito superior ao policial que está no local, o que os desmotiva.

Como eu falei antes, apenas 40% dos policiais estão nas ruas. São esses policiais que respondem à Corregedoria, que respondem a processo criminal, que têm que contratar advogados. Os demais são apadrinhados, e por isso eles são promovidos rapidamente e chegam ao topo. Então quem chega ao topo são aqueles que nunca fizeram polícia.

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