Publicado em: ter, maio , 2014

Professor usa pizza para ensinar Matemática em Goiás

Professor
Mostrar aos alunos a utilidade prática da Matemática sempre foi um dos principais desafios de todo professor que leciona a disciplina para turmas do ensino básico. Afinal de contas, a grande maioria dos estudantes tem restrição à matéria, considerada por muitos como um verdadeiro ‘bicho-papão’. Foi a partir dessa consciência que o professor Ricardo Aparecido Fidelis, do Colégio Estadual do Setor Finsocial, em Goiânia, teve uma ideia inusitada: por que não unir o útil ao agradável para ensinar os diferentes conceitos de fração?

Inspirado em uma ilustração que ele tinha acabado de ver no Livro do Professor, o educador expôs seu plano aos colegas. Os outros professores, entusiasmados com a possibilidade de também dinamizar suas aulas, abraçaram, de imediato, a proposta de Ricardo. E assim nasceu o projeto pedagógico Pizza na Escola para Ensinar Fração, que, apesar do nome sugestivo, não ficou restrito à Matemática e pautou-se, sobretudo, pela interdisciplinaridade, envolvendo também História, Geografia, Língua Portuguesa, Espanhol, Inglês, Ciências, Artes, Música e Educação Física.

Quando uma boa ideia encontra alguém disposto a tomar a linha de frente para executá-la, todo o cenário parece se tornar favorável. Por isso não foi surpresa para ninguém que nas aulas de Geografia, coincidentemente o próximo tema a ser trabalhado pela professora Aliny Ferreira Queiroz, seria a imigração dos povos europeus para o Brasil. “Com isso, pude mostrar a eles que se nós, brasileiros, tivemos a chance de conhecer a pizza, foi graças a essa ligação com os italianos que aqui vieram morar”, ressalta ela.

Paralelamente a esses conteúdos, as aulas de História abordaram os aspectos culturais e históricos da Itália, país que ainda hoje é conhecido como o ‘berço’ das pizzas. Por falar nisso, quais são mesmo os ingredientes que tornam esse prato tão saboroso e único? Quem pode falar sobre isso com toda propriedade é a professora de Língua Portuguesa e Inglês, Marilene Ferreira Nascimento Villas Boas. Foi ela quem se dedicou a ensinar a seus alunos a expressão correta de cada um dos ingredientes que incrementam uma autêntica massa de pizza, traduzidos do português para o inglês/espanhol. E nas aulas de português, Marilene encontrou no projeto uma boa oportunidade de explorar o potencial da escrita e da leitura também a partir dos componentes da receita.

Corpo saudável
Já nas aulas de Ciências e Educação Física, o que entrou em destaque foi o IMC (Índice de Massa Corporal), tema que tem tudo a ver com a adoção de bons hábitos alimentares, prática nem sempre comum entre os adolescentes de hoje. “A partir disso, o professor abordou conceitos de nutrição, alimentação saudável, valor calórico dos alimentos e a importância dos exercícios físicos”, lembra Ricardo. Nas aulas de música, uma surpresa! Apesar de os alunos priorizarem ritmos do momento, como o funk carioca, os aspectos folclóricos e musicais da Itália foram muito bem recebidos por eles.

Essa receptividade abriu caminho, inclusive, para que a professora de Artes encontrasse, entre os estudantes, o apoio necessário para reproduzir, dentro da escola, alguns cenários típicos do interior da Itália, criando, assim, um ambiente ainda mais propício para a culminância do projeto. E isso aconteceu em grande estilo, depois de quatro horas de muito trabalho para confeccionar 152 pizzas dos mais diversos sabores: mussarela, carne moída, quatro queijos, milho, frango com catupiry, calabresa e até a inusitada ‘tudo junto e misturado’.

Nos cálculos de Ricardo, as pizzas renderam 896 saborosos pedaços, prazerosamente saboreados pelos presentes. Segundo ele, participaram do projeto 275 alunos de quatro turmas do 7º ano do Ensino Fundamental e uma do projeto Crescer, composta por alunos da EJA (Educação de Jovens e Adultos) do Ensino Médio. Para o sucesso dessa experiência pedagógica, o professor destaca como fundamental o apoio irrestrito da direção do colégio, da coordenação pedagógica, de todos os professores e demais funcionários da escola no turno vespertino. “A união prevaleceu do início ao fim”, comemora.

O poder da união
Na avaliação do educador, em termos de aprendizagem os resultados superaram as expectativas. “O nosso objetivo inicial era apenas mostrar que a Matemática é útil no dia a dia do aluno, rompendo a barreira do preconceito contra a disciplina. Mas o saldo positivo mesmo foi ver a união de todos em torno de um só objetivo: o aprendizado dos alunos. Essa, com certeza, é a grande lição que fica e que nos servirá de inspiração a partir de agora”.

O diretor da escola, Elton Ferraz, não esconde sua satisfação com o êxito do projeto e na dedicação que todos demonstraram com a iniciativa. Para ele, bons projetos pedagógicos criam uma nova dinâmica dentro da instituição de ensino e, com isso, envolvem e estimulam alunos e professores. “São ações como essas que possibilitam ao educador inovar em sua prática diária e isso é fundamental”.

Adepto da gestão participativa, que traga para dentro da escola os pais de alunos e a própria comunidade, Elton defende uma filosofia de trabalho que, aplicada à prática, pode fazer realmente a diferença. “Eu sempre trabalho sob a ótica de que tenho, aqui dentro, os melhores alunos e os melhores professores de minha região. Se eu não acreditar nisso e não investir no que acredito, não posso fazer um bom trabalho”.

Matéria enviada pela Assessoria de Comunicação da Seduc – Agecom