Publicado em: ter, jun , 2014

Conselhos tutelares sofrem com falta de estrutura

Conselhos tutelares
Mais do que problemas de estrutura, os conselhos tutelares de Goiânia não têm rede para receber as demandas da população. Entre as várias necessidades, faltam vagas em Centros de Educação Infantil (Cmeis), psicólogos para atendimento às crianças vítimas de abuso e clínicas para internação de menores dependentes de drogas. Junto a isso, não há veículos, computadores e até energia elétrica. “Remamos contra a maré e vemos que para lugar nenhum. É complicado ver que nosso trabalho não tem o respaldo legar que deveria ter”.

Conselheiro na região oeste de Goiânia, Omar Borges de Sousa atua como conselheiro há cinco anos. Nesse período, disse que já viu de tudo e sempre se entristece ao não conseguir ajudar a mãe desesperada. “Nossa maior demanda vem de casos relacionados à droga. Não existe nenhuma unidade para tratamento compulsório de menores e, em alguns casos, é a única alternativa que encontramos”. Omar relata um caso atendido na última semana, quando um menino de apenas 10 anos foi levado pela mãe ao local, pode ser dependente.

Segundo o conselheiro, o pedido de mães por ajuda para esse atendimento compulsório é diário e ele afirma que não há local para encaminhar essas crianças e adolescentes. “As mães, cansadas de lutar contra o crack, chegam desesperadas e querem deixar seus filhos aqui, para que a gente possa tomar alguma atitude. Mas, infelizmente, não temos o que fazer porque não temos qualquer respaldo do poder público”. Omar Sousa acrescenta que ele e outros conselheiros pretendem acionar a Justiça federal para cobrar essa estrutura. “Temos que fazer algo”.

Presidente do conselho na região noroeste, José Nilton Ribeiro de Sousa reclama da divisão dos bairros atendidos por sua equipe. São 115 bairros e mais de 15 mil atendimentos protocolados desde 2008. “Nem se quisermos alcançamos a região do Mendanha, que é de nossa responsabilidade, mas não conseguimos sequer atender os bairros mais próximos”. Segundo José Nilton, a principal demanda é a vaga em Cmei. “Temos casos diários de abuso sexual. Esses casos acontecem principalmente porque as mães não têm onde deixar as crianças, que ficam com vizinhos”.

José Nilton continua reclamando que faltam vagas para atendimento psicológico para as vítimas de abusos. “Elas deveriam ser atendidas no dia seguinte ao caso, mas hoje chegam a esperar mais de 40 dias e isso pode trazer prejuízos irreparáveis na vida dessa pessoa, quando ficar adulta”. No caso do Mendanha, ele diz que a região dos motéis é área conhecida por prostituição e o conselho não consegue monitorar possíveis casos de menores nesse tipo de situação. “Temos apenas cinco profissionais e de cada dez denúncias, temos condições de atender três ou quatro”.

Na região leste, a demanda maior também é por vagas em Cmeis. Conselheiro Francisco Tavares, conhecido como Irmão Francisco, afirma que recebe pedidos diários de vagas. “O pior é que não podemos fazer nada nesse caso”. E, para piorar, o conselho da região leste, que fica no Jardim Novo Mundo, está há três meses sem energia. Até o medidor de energia foi recolhido. “A estrutura está péssima, com rachaduras e infiltrações. Além disso, não temos computador ou telefone e usamos tudo nosso, pagando com nosso salário”.

Irmão Francisco acrescenta que um conselheiro está usando máquina de escrever e, outro, escrevendo os pedidos à mão. Ele está pagando cerca de R$ 30 por dia em lan houses para digitalizar os documentos. Com os telefones cortados por falta de pagamento, o conselheiro acrescenta que estão usando os telefones particulares. “Recebemos diversos pedidos, durante o dia e a noite. Não podemos deixar essas pessoas sem ajuda. Fazemos por amor, porque estrutura e suporte, realmente nos falta”.

A Secretaria Municipal de Assistência Social (Semas) informa que conhece o problema da falta de energia e ressalta que a pasta aguarda o cumprimento de ordem judicial para que a Celg possa reestabelecer a energia elétrica do conselho da região leste. A secretaria informou, ainda, que tem trabalhado constantemente para melhorar a estrutura dos órgãos, os equipando com carros e computadores novos, bem como a rede de assistência social e psicossocial (Cras e Creas).

Jornal O Hoje

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